terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Manhã de sábado

Pego um livro, bom amigo 
Olho o mundo noutros olhos 
Acendo um incenso sinto a vida 
Não me esqueço do que vi
Doce e a vida, solidão
Onde não habita um coração
Nem o mundo, nem o tempo
Nem você, nem ninguém
Olhos vendados, mentiras ditas
Malditas, malditas
Amo a dor e o silêncio,
A solidão e meu veneno
Meu placebo, meu destino.
Maicon Do Vale 

NIHIL I

Escrevo essas tortas linhas 
Esperando sozinho por um fim
Nada faz sentido, nem para você 
Nem para mim.

Nihil II

Vazio, me afundo em pensamentos
Futilidade, nessa cidade tudo é vago
Dor, me corta, me corto, me afogo
Grito, saí, saí, saí,,, demônio que invoco
Me observam, me julgam, me temem
Sou retrato
Sou você
Reflexo
Vidros pelo chão, sangue, feio
Tudo é feio
nada é você
tudo sou eu
Doí
Camisa de força, me debato
Seringas, agulhas, veneno
placebo, cura.
Vazio novamente
Resistir não faz sentido.

Nihil III

Destino por dentre os medos das criaturas rebeldes
caminhando sem rumo em direção ao vazio 
Me odeio, te odeio, somos nada, irrelevantes
Sem sentido é o caminho que percorremos desde o incio
meio, fim, frívolo, fútil, suas unhas me estraçalham
somos escravos do prazer pois não vemos sentido em mais nada

Nihil IV

Olhai, a frente está o destino
Tudo é irrelevante, efémero como a chama da vida
Isso que foi dito, nada estava escrito
paginas queimadas de uma bíblia maldita
Me afogava em meu próprio vômito a cada sonho
podridão por onde eu passava
Caminhei pelos ermos de minha alma
em busca de respostas inúteis
a cada seringa uma resposta
a cada resposta mil duvidas
Na água não tenho reflexo
apenas seu nome escrito a sangue
na parede do banheiro
Meu sangue, meu corpo
meu martírio

Nihil VI - destruição da imagem


Nosso protagonista, nosso ego
Não era nada, nem ninguém
Perdido entre o ser e não ser
Não tinha face, não ligava mais
Não via a luz, não sentia prazer
Não pensava na vida nem queria morrer
Era vazio, era blasé, não estava aqui
Nem para mim, nem para você
Certa vez ele se olhou
Encontrou a resposta para dúvidas
Vendo que não tinha face
Não era ninguém a não ser ele mesmo
.

Olhares

Olhares que se cruzam
se encontram em um quadro
e se cruzam pelos rostos 
daqueles que não sabem
que haviam se encontrado
 
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